Heitor dos Prazeres

Curta Metragem
Diretor: Antonio Carlos da Fontoura

PARTICIPAÇÕES E PRÊMIOS EM FESTIVAIS E MOSTRAS
I Bienal de Arte Negra de Dakar (1965)
Festival do Cinema Brasileiro de Brasília (1965)

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Veja também no Caderno ENSAiOS:

Argumento

Matrizes do Samba no Rio de Janeiro

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Querido diário, por Chico Buarque

Caderno ENSAiOS publica música inédita do novo CD de Chico Buarque.

Querido diário

(Chico Buarque)

Hoje topei com alguns
conhecidos meus
Me dão bom-dia [bom-dia], cheios de carinho;
dizem para eu ter muita luz
e ficar com Deus
Eles têm pena de eu viver sozinho

Hoje a cidade acordou
toda em contramão
Homens com raiva,
buzinas, sirenes, estardalhaço
De volta à casa, na rua
recolhi um cão
que, de hora em hora, me arranca um pedaço

Hoje pensei em ter religião
De alguma ovelha, talvez,
fazer sacrifício
Por uma estátua ter adoração
Amar uma mulher sem orifício

Hoje, afinal, conheci o amor
E era o amor, uma obscura trama
não bato nela, não bato
nem com uma flor
mas se ela chora, desejo-me em flama

“Querido diário”
Hoje o inimigo veio,
veio me espreitar
Armou tocaia lá
na curva do rio
Trouxe um porrete, um porrete a “mode” me quebrar
mas eu não quebro não, porque sou macio, viu?!

Vento bravo, com Tom e Edu

 

Vento Bravo, de Edu Lobo e Paulo César Pinheiro, numa gravação memorável com Tom Jobim e o próprio Edu.

Aproveito e deixo a letra da canção aí embaixo. É um poema notável.

VENTO BRAVO

Era um cerco bravo, era um palmeiral,
Limite do escravo entre o bem e o mal
Era a lei da coroa imperial
Calmaria negra de pantanal
Mas o vento vira e do vendaval
Surge o vento bravo, o vento bravo

Era argola, ferro, chibata e pau
Era a morte, o medo, o rancor e o mal
Era a lei da Coroa Imperial
Calmaria negra de pantanal
Mas o tempo muda e do temporal
Surge o vento bravo, o vento bravo

Como um sangue novo
Como um grito no ar
Correnteza de rio
Que não vai se acalmar
Se acalmar

Vento virador no clarão do mar
Vem sem raça e cor, quem viver verá
Vindo a viração vai se anunciar
Na sua voragem, quem vai ficar
Quando a palma verde se avermelhar
É o vento bravo
O vento bravo

Como um sangue novo
Como um grito no ar
Correnteza de rio
Que não vai se acalmar
Que não vai se acalmar
Que não vai se acalmar
Que não vai se acalmar
Que não vai se acalmar.