A propósito


au-dela-de-la-pensecc81e1.jpgEnsaio é uma palavra de expressão ambígua. Nos remete aos escritos de Montaigne, às reflexões acadêmicas, ao rigor da filosofia, bem como à ideia de uma construção de ordem variada. Nela cabem várias possibilidades de expressão: poéticas e políticas. Provocações, a partir de um humor corrosivo, e aquele lirismo docemente apaziguador, apesar do cheiro inebriante do vinho. Nesse olhar que a segue de perto, os ensaios de música com quaisquer tipos de banda, ou aqueles das escolas de samba da minha terra, Rio de Janeiro, ou em quaisquer outras terras, parece nos persuadir de outras coisas, outros fenômenos. A sua distinção está presente nos ensaios de maracatu na periferia do Recife e seu culto à tradição, tanto quanto naqueles que encontramos no balé, expressão de uma outra tradição que igualmente se reinventa. E iremos ver a palavra se desdobrar ainda nas mais diversas danças populares, nos desfiles militares, nas apoteoses, assim como no teatro, a que me ligo profissional e afetivamente.

Enfim, ensaio se reveste de uma feição múltipla, variável, plural, cuja completude parece que ainda está por vir. Talvez esteja. E é nessa condição que a compreendemos como um conjunto aberto a diversas possibilidades e expressão corrente dos nossos tempos.

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