O Encontro de Lampião com Eike Batista

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O Encontro de Lampião com Eike Batista

Letra e música: El Efecto

Duas coisas bem distintas

Uma é o preço, outra é o valor

Quem não entende a diferença

Pouco saberá do amor

Da vida, da dor, da glória

E tampouco dessa história

Memória de cantador

Reza a história que num dia

Daqueles de sol arisco

O bando de cangaceiros

Mais valente nunca visto:

Candeeiro, Labareda,

Zabelê e Mergulhão

Juriti, Maria Bonita

Volta-seca e Lampião

Enedina, Quinta-feira

Beija-flor e Zé Sereno

Lamparina, Bananeira.

Andorinha e o Moreno

Moderno, Trovão, Dadá

Moita Brava e mais Corisco

Pra mó de se arrefrescar

Margeavam o São Francisco

De repente um escarcéu

Aperreia todo bando

Um trem vem rasgando o céu

E na terra vai pousando

Do grande urubu de lata

Cercado por muitos hômi

Desce um gringo de gravata

Falando no telefone

Uns hômi tudo de preto

Peste vinda do futuro

Que pra não olhar no olho

Veste óculos escuro

Um se aprochegou do bando

Grande pinta de artista

Disse com ar de desprezo

Muito seco e elitista:

– “Calangada arreda o pé

Que agora isso é de Eike Batista!”

A peixeira já luzia

Quando o gringo intercedeu

– “Perdoem a grosseria

Desse empregado meu

Sou homem civilizado

Não gosto de violência

Trago papel assinado

Prezo pela transparência

A terra de fato é minha

O governo fez leilão

Eu que dei maior lance

Ganhei a licitação

Não sou nenhum trapaceiro

O que é meu é de direito

Mas como bom cavalheiro

Lhes proponho um outro jeito.”

Chamou Lampião na chincha

Prum papo particular

Uma proposta de ouro

Difícil de recusar

– “Vou ganhar muito dinheiro

Com um novo agronegócio

Emprego teu bando inteiro

Ainda te chamo pra ser sócio!”

– “Tu pode comprar São Paulo

E o Rio de Janeiro

Foto em capa de revista

Por causa do teu dinheiro

Ter obra no mundo inteiro

Petróleo, mineração

Mas aqui nesse pedaço

Quem manda é o rei do cangaço

Virgulino, Lampião!

Se tu gosta de x mais um x eu vou lhe dar no xaxado que diz

Se tu gosta de x mais um x eu vou lhe dar no xaxado que diz: chispa”!!

E os homi tudo de gravata desandaram a fugi

Subiru no urubu de lata e arredaram o pé dali

E até o Velho Chico cantou pra todo mundo ouvir:

Hay que, hay que, Eike, hay que, hay que, hay que resistir!

Duas coisas bem distintas

Uma é o preço, outra é o valor

Quem não entende a diferença

Pouco saberá do amor

Da vida, da dor, da glória

E tampouco dessa história

Memória de cantador…

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Créditos:

letra e música:
el efecto

vozes:
tomás rosati
bruno danton
diogo furieri

bateria:
tomás rosati

guitarras:
bruno danton
pablo barroso

baixos:
eduardo baker
alexandre guerra (fretless)

percussão:
bernardo aguiar

flauta:
karina neves

coro:
carolina thibau
conrado kempers
dandara catete
iuri gouvêa
karina neves
letícia catete
polly vieira
uirá bueno

gravação e mix:
tomás alem (estúdio músika)

edição de vídeo:
iuri gouvêa

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Veja também no Caderno ENSAiOS:

Presepada

Morte e Vida Severina (Auto de Natal Pernambucano)

Vento bravo, com Tom e Edu

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Morte e Vida Severina (Auto de Natal Pernambucano)

Morte e Vida Severina é um poema dramático de João Cabral de Melo Neto. Composta originalmente para teatro, a obra relata a dura trajetória de um migrante nordestino em busca de uma vida mais fácil e favorável no litoral.

O subtítulo “Auto de Natal Pernambucano” remete-nos à tradição medieval ibérica em que a designação “auto” destinava-se a composições dramáticas, cujos assuntos podiam ser religiosos ou profanos, sérios ou cômicos.

Os autos, ao mesmo tempo em que divertiam, moralizavam pela sátira de costumes e inculcavam de modo vivo e acessível às verdades da fé. Tais peças foram uma constante na literatura portuguesa e tiveram seu apogeu com o teatro vicentino, no alvorecer do século XVI.

Morte e Vida Severina é dividida em dezoito passos, cada um deles narrando partes da grande jornada de um retirante — Severino de Maria — que foge da seca, em busca da vida no litoral.

Esses pequenos passos são as cenas de um auto natalino, com a descrição final do nascimento de uma criança, mas entremeados pela morte que é o liame entre uma cena e outra.

O desenho animado é uma versão da obra prima do poeta pernambucano adaptada pelo cartunista Miguel Falcão em 3D preto e branco.

Este vídeo é uma produção da Fundação Joaquim Nabuco e TV Escola.