Considerações felicianas

Da série Pequenos apontamentos noturnos

Suplício dos cem pedaços

Suplício dos cem pedaços

Por Theotonio de Paiva

A propósito de pastores e pequenos tiranos, uma coisa aprendi com a história: não menosprezar a habilidade que essas caricaturas de homens têm em realizar estragos profundos nas sociedades. Os exemplos são vários e para todos os gostos.

E é difícil acreditar que, apesar de tudo o que sofremos e conseguimos construir ao longo de todo o processo civilizatório, muitos ainda sejam mobilizados por essas narrativas tão grotescamente degradantes do ser humano.

Vale a pena registrar que algumas figuras notáveis se debruçaram e mobilizaram grandes energias para entender esse processo terrível de manipulação de corações e mentes. Freud, com o seu Mal-Estar na Civilização, foi um deles, Adorno e Reich foram outros. E por aí vai.

De qualquer maneira, impressiona como a grande maioria desses pensadores traça um eixo comum que aponta para a construção de um imaginário que ataca alguns pontos extremamente vulneráveis do ser humano.

Nesse sentido, agem através de uma farta simbologia. E essa simbologia é posta a serviço de uma reinterpretação de mitos arcaicos – o caso de Noé é emblemático – visando atingir drasticamente aquelas zonas perigosas do inconsciente em que anseios e repressões se confundem.

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Veja também no Caderno ENSAiOS:

A teoria freudiana e o modelo fascista de propaganda

Hexecontalito

No meio do caminho

Pequenos apontamentos noturnos

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