Teoria e prática

Por Theotonio de Paiva

Depois de quase um mês, retomamos as atividades aqui no blog. Posso garantir que essa experiência me faz muita falta. Concretamente falando, a possibilidade de rascunhar, pensar em voz alta, talvez obter alguns retornos impensáveis, e, sobretudo, lutar por uma democratização não apenas da informação, mas do conhecimento como um todo, se traduz de uma maneira cada vez mais surpreendente. E isso não acontece só aqui. Mas posso e devo falar do meu quintal.

O domínio da linguagem, a construção de uma crônica desses nossos tempos, permite-nos elaborar cotidianamente algumas questões. Esse é um aspecto decisivo dos termos desse blog do qual não devemos nos afastar.

Assim, o conhecimento vai se depurando. Às vezes se sofistica, mas no instante seguinte volta atrás, erra, por conta de um embrutecimento da sensibilidade. Mas isso não importa. Em outros momentos se projeta com saltos incríveis, a partir de entendimentos mais profundos sobre esse tempo memorável em que vivemos.

São tantas as crises, as mesquinharias, os desacertos, os retrocessos, que nos imaginamos numa época grotescamente caótica. E é. No entanto, há essa outra dimensão curiosa do pensamento, que nos impulsiona a intuir novas percepções. E então somos pegos naquele embate com causas imprevisíveis e independentes entre si que sabiamente nos oferece um outro punhado mais generoso da expressão humana.

Shakespeare, em seu Hamlet, talvez tenha chegado perto daquela síntese memorável sobre o homem, ao percebê-lo capaz dos vôos mais sublimes e, paradoxalmente, senhor das mais abjetas criações. E, ao anunciar esse homem moderno, o poeta parece falar para os séculos futuros em tons premonitórios. Muita coisa mudou, porém outro tanto se manteve preso à roda do tempo.

De todo modo, a crise em que vivemos se afigura como uma manifestação perene do mundo. Não há escapatória. Não há motivo para vocalizar um tempo pretérito de uma fábula de ouro, tampouco supor que o fato de termos estado atrás daqueles seres que se saciavam com os restos de carniça dos exímios caçadores, nos obrigue a uma fatalidade única de desespero e dor.

A representação daquele princípio vida e morte se traduz nas nossas criações, em nossos modos de operação, enfim, em nosso destempero, e naquela inatingível, posto que reconhecida, serenidade. A vida é curta, não há escapatória. Sempre foi e sempre será. Mas o flagrante maior do cotidiano, aquela expressão simbólica da vida em suas contradições mais delicadas e sutis são vocalizações supremas de um mundo que insiste em transver o próprio olhar e comunicar aos outros a condição suprema de cada um de nós, a minha e a sua. Voltemos aos tempos de caça.

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2 pensamentos sobre “Teoria e prática

  1. Oi Theo, estou de férias do outro lado do oceano. Surpresa em abrir meu e mail e ver que voltou. Coisa boa!Melhor ainda porque parece, neste pós eleição teremos mais textos seus. Continuamos lá em casa diferenciando o seis e a meia dúzia, sabia? Um beijo pra ti.

  2. e voltou inspiradíssimo.
    gostei desta sua reflexão. gostei demais da conta.
    viver é isto, né?um desafio permanente de busca de sentido. e enquanto vasculhamos, vamos encontrando e fazendo o sentido das coisas da vida.
    beijo.

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