Governo americano trama apoio ao golpe de 64

O vídeo Governo americano trama apoio ao golpe de 64 circula há muito tempo na internet.

Resolvi postar novamente quando se comemora a implantação do golpe militar.

Sobretudo para termos a oportunidade de um exercício, provavelmente pouco agradável, de repensar a própria experiência política naquilo que ela tem de mais violento.

Ainda mais quando se constata, na sua condição de uma memória pouco exercitada, tratar-se de uma questão profundamente delicada da nossa história: a própria situação colonial.

E com ela o traço irretoquível. A posição canhestra de não possuir amplamente os princípios mais elementares de liberdade e independência política.

“Eu poria o pescoço para fora um pouco”, diz o presidente americano ao final da gravação. E efetivamente isso irá acontecer. O golpe militar de 64 rompe a tradição política brasileira, adotando a orientação das ditaduras sinistras que a América do Norte impôs, desde sempre, à América Central e ao Caribe. Isso está lá no áudio. Documentado.

Se avançarmos um pouco mais, encontraremos o seguinte quadro: a operação Brother Sam, da qual o Presidente Johnson faz menção, era constituída pelo porta-aviões Forrestal, por um porta-helicópteros, por seis destróieres de apoio, quatro petroleiros, sete aviões de carga C-125, oito aviões de caça e mais oito aviões-tanques e um avião de comando aéreo, e portava cento e dez toneladas de armas e munições. Ou seja, qualquer resistência armada estaria fadada ao fracasso. O Império assim decidira.

Mas antes do Império decidir, as elites nacionais, os principais grupos econômicos, amplos setores militares, as classes médias, a Igreja Católica, expressivos líderes políticos como Lacerda e Magalhães Pinto, além de quase toda a imprensa da época, se envolveram e tramaram um projeto político de trágicas consequências.

Não fora a primeira vez. Em 1954, o golpe seria arquitetado por setores da UND e lideranças militares, como o Golbery. No entanto, naquela ocasião, o suicídio de Vargas desmontara a engrenagem. Logo ele, Getúlio, que havia sido ditador por anos a fio.

No entanto, em 64, se constrói uma nova experiência histórica. Esta romperia um pacto entre as elites e os setores subjugados da sociedade.

Não havia mais redenção, nem redentores. O país perdia de vez a ingenuidade.

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